Como saber se você precisa buscar atendimento psicológico?

Mulher pensativa refletindo sobre buscar atendimento psicológico

1. Se você não está bem e acha que isso é normal. Os dias estão passando sem que você os note, você sente que faz tudo no automático, que tem pouca energia e que, quando tem mais energia, é de puro estresse e raiva. Imagina que todo mundo se sente assim e quem mostra algum tipo de alegria, só pode estar fingindo, atuando e, para ser bem sincero, te dá até raiva ver alguém expressando qualquer emoção ou ação positiva. Infelizmente vivemos em um mundo em que o sofrimento está tão normalizado que algumas pessoas foram levadas a acreditar que sofrer é normal e que até faz parte de um jeito “certo” de se viver. Afinal, ser adulto é isso, né? Um amontoado de responsabilidades e tarefas realizadas no automático. Mas… Será mesmo? Viver é mesmo dar espaço para o mal-estar entrar como um convidado compulsório e deixá-lo tomar conta de todos os cômodos da sua casa e, até se instaurar na sua cama, te impedindo de dormir e relaxar? Onde foi parar o bem-estar? Ficou do lado de fora? Na clínica, já ouvi muitos pacientes normalizando o sofrimento, a ansiedade e outras condições emocionais patológicas. Alguns, para justificar esses estados emocionais, fazem da culpa e ansiedade “motores” para cumprir tarefas, acreditando que elas vão levá-los a algum lugar… melhor? “Eu não sei de onde vem essa mentalidade branca de que o sofrimento ensina (…) Essa ideia, eu não tenho nenhuma simpatia com ela. Se for pra sofrer, eu não quero aprender nada”. — Ailton Krenak Assim como Ailton Krenak, na psicologia não compactuamos com o sofrimento e a perpetuação dele. O perigo de ideias que mantêm o sofrimento como está é que elas não vão te levar a outro lugar que não seja o adoecimento mental e uma vida mais infeliz. Por isso, vamos aprofundar esse texto trazendo mais um esclarecimento e motivo pelo qual você deveria buscar apoio psicológico se tem se sentido desta maneira. 2. Se você parar para ouvir o seu corpo, o que ele está te dizendo? Tensão muscular, preocupação, estresse, dores de cabeça constantes e até problemas para ir ao banheiro. Quando uma pessoa está ansiosa ou deprimida, o corpo dá um jeito de expressar isso. Não costuma ser óbvio para as pessoas que o sofrimento mental não se limita aos pensamentos e emoções, mas a sensações corporais que, inicialmente, parecem desconectadas entre si, porém à medida que vão evoluindo, se intensificam e causam grandes prejuízos na vida de uma pessoa. Você sabia que uma crise de ansiedade ou pânico pode começar a se instaurar com náuseas, formigamentos, espasmos musculares e irem evoluindo para sintomas mais tipicamente associados à ansiedade como taquicardia, medo de morrer e desconforto respiratório? O sofrimento afeta a vida de maneira global: é sentido no corpo, na cognição, na vida social e na relação com a vida em si. O sono e o apetite podem estar prejudicados assim como as relações sociais e o desempenho no trabalho. Para tratar o sofrimento, é indicado o acompanhamento psicológico e, em alguns casos, o uso de medicações para atenuar esses sintomas. Já que quando não tratado, um transtorno mental pode acarretar em outras comorbidades, como doenças cardíacas, diabetes e hipertensão. E mesmo crises de pânico recorrentes poderão ser configuradas como transtornos de pânico se não forem tratadas. Uma crise rompe com o estado de normalidade das coisas e representa um ponto de virada, um momento decisivo para intervir e prevenir o agravamento de um adoecimento. 3. Se você sente que está “emperrado” em alguma área da sua vida Essa é uma das questões mais recorrentes na clínica; aparece em todos os casos e não necessariamente está acompanhada de um transtorno mental. Sabe aquela área da sua vida que não está avançando? Pode ser nas relações como um todo (amorosa, familiares, de amizade e de trabalho), pode ser também em como você desempenha o seu trabalho ou o quanto tem dificuldade de realizar paixões que você gostaria de aprofundar, como a escrita, a arte, a fotografia, o canto etc. Algumas pessoas notam que vão se formando padrões: “isso sempre acontece comigo”. Na cultura, isso vai se expressando em falas como “parece que tô pagando pecado”, “tenho o dedo podre”, “alguém fez algum trabalho espiritual que está me travando”. No trabalho clínico, nós desmontamos ideias que podem reduzir as suas possibilidades de ação e criamos um campo de investigação que ajudará você a desenvolver mais recursos internos para lidar com os seus problemas. Por exemplo, na clínica, vamos olhar com muito cuidado para a sua história, o lugar de onde você veio, a cultura familiar, e claro, às ações inconscientes (aquilo que fazemos sem perceber) que estão relacionadas a esse contexto. Afinal, o que representaria, na sua história, se autorizar a romper com esse padrão que não permite com que você avance? 4. Luto, separações e adoecimento Toda perda, seja de saúde, de um ente querido ou do rompimento de uma relação, traz impactos profundos na vida de uma pessoa. Normalmente, elas implicam uma mudança radical na vida da pessoa, internamente e externamente. O luto vem acompanhado de sintomas muito similares à depressão, como a tristeza, o desânimo, a diminuição ou aumento do apetite, diminuição da vontade de fazer tarefas que antes eram consideradas prazerosas, insônia dentre outros sintomas. O luto é um processo normal. E todos nós vamos passar por ele em algum momento da vida. Mas vamos combinar, é quase como se todos os móveis da sua casa mudassem de lugar em um piscar de olhos. A reorganização desta casa costuma ser delicada, pode ser lenta e dolorosa, especialmente se você precisa fazer isso sem apoio. No acompanhamento psicológico, nós vamos tentar fazer esta reorganização da melhor maneira possível, respeitando o seu tempo para realizar essa perda e a reorganização que você considerar necessária para viver melhor nesse novo cenário. Se, ao longo deste texto, você se identificou em alguns desses pontos, esse é o momento de ouvir as suas perguntas e